Voltamos com mais uma coluna de indicações aqui no site do Nightbird!

Na edição de hoje, temos o Apenas Um Oliveira recomendando diversas obras para vocês, dentre livros, discos e filmes. O artista lançou no final do ano passado seu primeiro trabalho com o selo, o single “Dia de Festa no Morro”, e se prepara para a chegada de novas faixas e de seu EP de estreia em 2021.

Tocando seu trabalho para frente neste período pandêmico, Thiago conta que seu processo de produção atual se dá por picos:

“Tem dias que consigo estudar, produzir, compor, e tem dias que eu só quero assistir “Todo Mundo Odeia o Chris”, alisar a gata e pedir uma cerveja por aplicativo.”

E em relação às expectativas com os próprios trabalhos, o músico paulista de nascimento e natalense de coração se mostra realista (talvez até demais) e explica mudanças em seu planejamento:

“Irei finalizar o EP “Bilhete aos que Chegarem”, que estava previsto para abril, mas pela pandemia achei mais seguro adiá-lo pro segundo semestre. Mas já tenho um single no gatilho, produzido com um amigo de SP e uma MC aqui de Natal. Produzimos de forma remota, ainda neste semestre tem essa novidade. E também pretendo não morrer, ficar bem, ver meus amigos e família bem, vivos e saudáveis, pra quando tudo isso passar a gente se aglomerar em muitos shows. “

Buscando englobar suas influências musicais e os conteúdos que absorveu durante este período de pandemia, Oliveira listou diversos materiais, começando pelos discos:

– Tim Maia Racional (Tim Maia, 1975): “Eu acho o disco foda pra caramba. É um momento ‘lombrástico’ do Tim Maia, em que ele se envolveu em um culto religioso, e as letras são lombradas graças a esse culto. Mas musicalmente é (um disco) incrível.”

– Beware the Fetish (Kasai Allstars, 2014): “Esse grupo musical é pertencente a cinco grupos étnicos do Congo (Obs.: da República Democrática do Congo), os quais são historicamente rivais, e eles se uniram através da música. Um amigo me apresentou esse disco e eu pirei nele.”

– Bitches Brew (Miles Davis, 1970): “Eu acho (o disco) foda demais pela questão emocional dentro do jazz. Através desse disco, ele conseguiu dialogar com os artistas do rock da época, do funk… Ele inova algumas coisas dentro do próprio jazz, é incrível.”

Agora partindo para os livros, Thiago traz duas obras:

– “Quarto de Despejo”, de Carolina Maria de Jesus: “É um livro tão sensível, de reflexões e dramas da autora, mas ao mesmo tempo, (traz) muitas reflexões muito cotidianas. Já o li duas vezes e cada vez que o leio, tenho uma sacada diferente, uma sacada melhor desse livro. Quem sabe daqui a uns 10 anos, eu vou ler pela oitava vez e descobrir coisas novas, junto com o momento que eu estiver vivendo né?”

– “Entre o Mundo e  Eu”, de Ta-Nehisi Coates: “São cartas do autor pro próprio filho, refletindo sobre questões raciais. Ele fala sobre esse abismo entre ele, como homem preto, e o mundo o qual ele habita. Estou lendo ele pela primeira vez, o ganhei de presente há uns meses atrás.”

E em relação aos filmes, mais dois trabalhos sugeridos pelo músico:

– “Emicida – Amarelo: É Tudo Pra Ontem”: “Como a própria sinopse diz, não é só sobre o Emicida, ele tá falando sobre muitas outras coisas, muitas questões atuais, históricas… Já vi o documentário três vezes, e cada vez que assisto é uma percepção nova sobre a própria obra e sobre mim mesmo.”

– “A Voz Suprema do Blues”:  “Gosto de acompanhar os filmes indicados ao Oscar e tô na torcida (por este filme). Ele também aborda questões raciais e fala de músicos pretos de jazz. Me emocionou muito, também pelo ator de Pantera Negra (Chadwick Boseman). Foi um dos últimos que ele filmou, já estava bem doente, mas a atuação dele foi visceral. Enfim, trata de música, de blues, jazz, das marcas que racismo deixou nas pessoas da época e que deixa até hoje.”

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